TIMELINE: GLOBAL CUP, RODEIO EM EQUIPES E AS LIÇÕES QUE DEVERÍAMOS APRENDER

Com o sucesso da Global Cup, Abner Henrique destaca alguns pontos que precisam amadurecer nos rodeios em equipes realizados no Brasil, do ponto de vista do marketing e do mercado

A PBR Global Cup, realizada no último fim de semana em Arlington no Texas é a principal competição de montaria em equipes do mundo e chama atenção não somente pelo nível dos competidores e sua premiação, mas também pelo planejamento do formato da competição e a forma como ela “se vende” ao público.

Antes de tudo, já aviso que este não é um texto sobre os competidores, os touros, escalação, a pontuação ou qualquer coisa referente diretamente a competição. Como o próprio site indica, é um texto sobre marketing e como deveríamos aproveitar melhor os rodeios em equipes no Brasil neste aspecto.

Lançada em 2017 a PBR Global Cup já sofreu algumas alterações em seu regulamento nas quatro edições realizadas, porém, se mantém em um formato fácil de entender, torcer e curtir. O conceito do técnico escolher qual atleta vai em determinado touro, sucesso na extinta PBR World Cup seja talvez a grande essência da competição.

Além disso, há um round bônus, onde em questões de segundos, baseado nas colocações das montarias anteriores, os técnicos precisam escolher um touro e imediatamente qual dos seus atletas tem melhor condições de montá-lo. Como vimos, tudo ali acontece por uma razão. A emoção da torcida, a imprevisibilidade, a rivalidade “Nação vs. Nação” e por ai vai.

No Brasil, os rodeios em equipes se tornaram a grande “salvação” quando falta uma boa ideia (e sempre falta) de como expor a marca de um grupo de patrocinadores e de tão comuns e mal planejados, na grande maioria das vezes tanto a competição quanto as marcas passam despercebidos pelo público.

Qualquer formato diferente de competição dentro de um rodeio precisa ser bem planejado, ter todas as possibilidades estudadas, para que faça sentido. Isso inclui o rodeio em equipes, principalmente quando envolve a marca de patrocinadores.

Já vi casos de rodeio em equipes que devido ao corte individual dos competidores de um dia para o outro, nenhum de determinada equipe avançou para o penúltimo e último dia da competição. E ai, será que o patrocinador ficou satisfeito, sendo que não foi ele quem escolheu os integrantes daquela equipe? Na verdade, provavelmente ele nem sabia como havia sido feito a escolha.

Neste sentido, o único bom exemplo que já vi é a competição entre equipes do Rio Preto Rodeo Country Bulls, onde nos primeiros dias não há cortes de competidores e a disputa entre equipes se encerra no sábado, onde todas estão ainda com a mesma quantidade de participantes. Depois de definida a equipe campeã, no dia seguinte segue apenas a disputa individual com os melhores competidores. Resultado, justo pra todos e todos satisfeitos.

E até quem tem condições de dar bons exemplos, não consegue. O Rodeio de Barretos realiza uma competição entre equipes que deixa a desejar em emoção, informação e sentido. O Rodeio Interestadual, que já havia feito parte da programação em anos anteriores, voltou oficialmente ao evento nos últimos anos, onde as equipes representam os estados.

Entre os pontos negativos, há a falta de engajamento do público, mesmo Barretos sendo o único evento do gênero que recebe visitantes de todos os cantos do Brasil. Outro ponto que sempre causou estranheza foi a existência de equipes com competidores que nunca tiveram relação nenhuma com aquele estado, o que torna a competição pouco interessante.

Porém vale registrar que no ano passado o evento inovou e a competição aconteceu no formato de confronto entre as equipes, onde a equipe que somasse mais pontos dentro daquela chave do duelo avançava, até chegar as duas melhores para a grande decisão. Foi certamente um “surto” de criatividade dos organizadores, apesar de ainda ter ficado devendo na parte de marketing, principalmente no que diz respeito a comunicação.

Mas de forma geral, os rodeios em equipes no Brasil acontecem sem que os competidores, profissionais, patrocinadores e principalmente o público entenda nada do que está acontecendo e isto precisa ser revisto. O formato precisa ficar interessante para todos, precisa fazer algum sentido, ter uma razão de existir e não ser realizado apenas porque é “modinha” fazer rodeio em equipes.

Claro que as condições atuais do rodeio em nosso país não permite que sejam realizados eventos no padrão de competição e premiação da Global Cup. Mas uma boa ideia, um planejamento adequado e uma visão de mercado coerente com a evolução do rodeio, não custam caro.

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ABNER HENRIQUE THERÉZIO é publicitário, produtor de eventos e fanático pelo rodeio há mais de 20 anos. É proprietário da Agência PrimeComm, empresa que presta serviço de comunicação e marketing para eventos, campeonatos, empresas e profissionais do rodeio e provas equestres, além de fundador da PrimeComm Sports, única agência de representação de atletas que atuou no rodeio brasileiro nos últimos anos

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